Ensino =/= Preparação

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Se há coisa que podemos ter a certeza é que o ensino transmite-nos conhecimentos, experiências, nos faz pensar, mas se há algo que não se aprende na escola é ser preparado para a vida. Durante os 16 anos que tenho vindo a estudar – e que continuo – não me foi ensinado, uma única vez, a fazer tarefas que são consideradas corriqueiras, mas que são demasiado importantes para serem deixadas de lado pelo sistema de ensino.

Fazendo uma pequena pesquisa do que sei, apelando um pouco ao senso comum, diria que 80% dos estudantes não sabem preencher os papéis do IRS, não sabem como se compra ou vende uma casa, não têm a mínima noção de como criar uma empresa, dos programas que estão à sua disposição a nível nacional e internacional e por aí adiante. Aqui, tenho que gabar o modelo americano. Pode não ser perfeito, mas tem opções variadas para todos os gostos e que preparam, de certa forma, os alunos que assim o queiram. A não ser que um estudante esteja ligado à contabilidade ou finanças, é muito difícil encontrar alguém que saiba fazer algum dos pontos acima assinalados. Será que não é importante ou não deve ser? Por que motivo estamos a educar e a ser educados de forma tão pré-formatada, aprendendo as mesmas coisas há tantos anos e muitas delas de pouco ou nada nos servirão? Para não falar da questão das aulas religiosas. Se um Estado é laico, como é que pode haver uma disciplina denominada Educação Moral e Religiosa Católica? Mas isso já deixo para os mais apegados à religião.

O que é certo é que, sendo obrigatório ou facultativo, deviam existir essas disciplinas/cadeiras/informações. A matemática, geografia, história e português são disciplinas são importantes, mas acho que são levadas à exaustão e, muitas vezes, repetem-se (quem é que nunca teve aulas em que o professor dizia: “Isto é basicamente o que deram o ano passado”?). Não seria de igual modo pertinente aprender como se compra ou vende um imóvel, como se preenchem os papéis do IRS ou qual o melhor seguro que vá de encontro com os nossos interesses? Fica a ideia, seria bom, num futuro próximo, ter pessoas mais esclarecidas sobre disciplinas mundanas, deixando um pouco de lado o ‘desenrasca’, algo que nós, portugueses, somos tão bons, mas nem sempre traz os resultados pretendidos.

Jornalista Desportivo, Content Manager & Communication Coordinator ICote

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Author: Jorge Correia

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