O mundo ainda tem de crescer

Vinagre banner

Sinto que pouco sei sobre emigração. Ainda sei pouco sobre os números do desemprego que o governo dá e sobre os risos da oposição. O meu conhecimento nesses campos vem sempre do lado empírico de apenas ler jornais, televisão e da ocasional internet. (Diz que o desemprego só desceu porque os portugueses estão todos a ir embora. Quando não houver ninguém cá, o desemprego vai ser zero. Aí é que vai ser uma maravilha!) Nada de muito profundo, portanto.

1899060_10153841738870183_963316293_nNão sei nada, mas conto as festas de despedidas que amigos vão dando quando se vêem forçados a abandonar Portugal para procurar uma vida melhor. Uma vida melhor não, uma vida ponto final. Porque um jovem recém-licenciado com esperanças de uma carreira, qualquer que seja a sua área de formação, vê-se forçado a emigrar em oposição a continuar cá, mas sem vida.

Assim custa ter amor à pátria, quando a pátria faz questão de nos ir dando umas facadinhas no matrimónio assim que viramos costas.

Mas desde 1143 que Portugal tem “o melhor povo do mundo”, como alguém em tempos lhe chamou. Aqui o povo do “desenrasca” não descansa enquanto não estiver bem. E, se não está bem, muda-se. Muda-se para onde for preciso, o amor ao país não morre, mas emigra. Amamos à distância, o que até diz que faz bem nalgumas relações. Não é um desempregozito que nos manda abaixo, não é um emprego precário que nos deixa cabisbaixos – “Chega, demito-me!”. Fiquemos a lutar, se tivermos forças para isso ou vamos embora, se for preciso.

O mundo ainda tem de crescer muito para nos fazer frente. Se houve, em tempos, uma padeira que sozinha derrotou um exército inteiro, comecemos todos a amassar o pão para fazer frente a quem manda, às grandes multinacionais, aos bancos, ao capitalismo.

Comentários

Author: admin

Share This Post On