
Aaah a Suiça… Cenários calmos, montanhas nevadas, cordilheiras de prados verdes e a memória da Heidi e do seu avô por entre a flora centro-europeia. É este o retrato quase idílico que toda a gente idealiza quando se fala da Suiça. Ou já não será bem assim? Tomando em conta os programas vespertinos dos fins-de-semana e as frases recorrentes da plateia “quero mandar um beijinho para o meu filho na Suiça!” ou “um abraço para os meus sobrinhos em Zurique!”, podemos perceber que a Suiça já é mais falada pelos milhares de emigrantes portugueses que por lá vão tentando uma melhor sorte.
Atentando nos últimos números, o saldo migratório de portugueses para a Suiça atingiu um novo pico no ano passado, com uma entrada de mais de 13 mil portugueses naquele país.
O Relatório Suiço das Migrações diz que hoje um em quatro residentes na Suiça é estrangeiro, por entre todos os emigrantes na Suiça, 20% deles são portugueses e 50% do total é oriundo de países europeus afectados pela crise do euro, como Grécia, Itália Espanha e, claro, Portugal.
O que é que apela tanto na Suiça? Com certeza não será a Heidi ou os verdes prados. Talvez a diferença esteja no metal que nós chamamos “euros” e eles chamam “francos suiços”: a moeda. Não chega? Outro motivo? Talvez a centralidade geográfica na Europa. Ou as leis que dão mais previlégios aos emigrantes que noutros países – ou davam, porque agora há ordem para lentamente fechar as portas da Suiça. Resta saber o que acontecerá à política de emigração suiça. Porque se há os que têm um “american dream”, também há os que têm um “swiss dream”.

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