Estudar sem trabalhar, é possível?

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Continuando na temática académica, hoje quero falar um pouco das maravilhosas bolsas para estudar no estrangeiro. Muitas delas com cursos de línguas, outras com visitas ao país, mas, na sua maioria, com cláusulas e mais cláusulas, normalmente num tipo de letra diminuto, que muita gente não vê, ou quando vê fica sem o sorriso aquando do pensamento da candidatura.

Falo em termos pessoais, pois já recebi propostas de bolsas para os quatro cantos do mundo. Vou-me focar na última. Era uma proposta do governo chinês para ir estudar mandarim para Taiwan. Nessa bolsa estavam incluídos seis meses de aprendizagem numa das melhores universidades da zona. Tudo muito bonito e a vida é bela, mas, quase ao fim, vinham os senãos. A bolsa patenteava 600 euros. Por mês? Claro… que não. 600 euros para os seis meses. E pior, não havia qualquer tipo de ajuda para voos, estadia e custos. Ou seja, 600 euros para gastar em tudo. Numa região em que o custo de vida é parecido, ou mais caro, que em Portugal acho que será fácil viver com 100 euros por mês, onde o aluguer de uma casa, por si só, custa entre 200 a 300 euros. São muitos números que desanimam qualquer compatriota a dar o passo em frente. As bolsas escasseiam e eles alertam para isso, porque são muitos candidatos. Pois devem ser. Tiro o meu chapéu a quem arrisca nestas condições e consegue vingar. Como sempre ouvi dizer: “Não existem almoços grátis”. Apesar de ainda existirem boas bolsas, a maior parte já entregues antes de abrirem, e é complicado para muitos alunos conseguirem reforçar as suas competências e valências lá fora. O custo de vida muitas vezes não é tido em conta, assim como a viagem, a estadia e problemas de adaptação dos estudantes. Por que não trabalham? Porque é um país novo, muitas vezes sem conhecer ninguém, nem a realidade concreta desse mesmo país. E para trabalhar em condições precárias mais vale ficar em Portugal.

Ainda assim, acredito que se consiga chegar mais longe, com muitas – muitas e muitas – poupanças, mas indigna-me que quem trata da divulgação e da confeção dessas mesmas ajudas, não tendo o mínimo de respeito pelos candidatos que querem ser melhores, fazer mais e tentar ir mais longe.

Irá este panorama melhorar? Talvez, quem sabe…

Jornalista Desportivo, ICote Content Manager & Communication Coordinator 

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