Férias ou nem por isso?

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Jornalista Desportivo, ICote Content Manager & Communication Coordinator 

Há um assunto em que muita gente se revê quando chega a altura final das aulas e perto dos meses de mais calor. Trabalhar ou não no verão. Será assim tão benéfico arranjar um part-time nos meses em que, supostamente, deveríamos estar a descansar e ‘a trabalhar para o bronze?

À conversa com um amigo brasileiro, atualmente a viver em Portugal, ele explicou-me que uma das maiores diferenças que viu entre o país irmão e o nosso foi a falta de maturidade dos alunos no ensino superior. Quer isto dizer que muita gente vai para mestrado, pós-graduação ou algo mais sem nunca ter colocado as mãos na massa, sem nunca ter tido responsabilidades não-académicas, estudando 15, 16 ou 17 anos interruptamente e que, perto da saída para o mercado de trabalho, não estão minimamente preparados para a realidade laboral. Ou porque não sabem acatar as opiniões dos demais, ou porque pensam que são donos e senhores da razão, ou simplesmente porque estão a gastar dinheiro aos pais – escusadamente, diga-se -. As atividades extracurriculares, que vêm desde o ensino preparatório, deviam ser mandatárias para a entrada no mundo académico, ao estilo dos ‘States’. Assim, os alunos são apenas aprovados, ou não, pelas notas, muitas delas inflacionadas devido ao professor, outras que apenas refletem uma semana de estudo desumano para uma prova que 3 horas depois vai ser esquecida. Quanto mais cedo existirem responsabilidades, melhor. Falando novamente do meu amigo brasileiro, ele, como pai, nunca pediu a um filho para ir trabalhar ou arranjar a sua “grana”, mas eles, de forma altruísta, sempre trabalharam aqui e ali, até serem completamente independentes. Cá é diferente. O verão, quando há mais oportunidades, devido ao turismo e tudo o que o envolve, devia ser aproveitado para tal. Ganhar experiência, responsabilidades, contactos e dinheiro. É tudo bom. O facto de estarmos perto da fronteira possibilita-nos a ida para o país irmão, para quem se queixa da falta de oportunidades por cá, assim como fazer algo pelos vizinhos, pela internet ou algo em que somos bons. Possibilidades não faltam.

Em suma, sou apologista de uma educação pró-responsabilidade e pró-ativa, em que as notas são importantes, mas se conjugadas com experiência na escola ou fora dela. Como trabalhador e estudante, as pessoas que mais me marcaram, pela forma de encarar a vida e a academia, foram aquelas que já passaram pelo mercado de trabalho, que trazem competências e valores que não se encontram nos livros, que ajuda imenso a crescermos como profissionais e como pessoas. Façam algo, criem valor, mais tarde irão recolher dividendos desse mesmo esforço.

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Author: admin

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