“Oh tempo volta para trás”

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Citando António Mourão, com um objetivo, obviamente, díspar daquele que o artista marcou na altura: “Oh tempo volta para trás”. Volta para trás por quê? Boa pergunta.
Podia escolher mil e uma razões para querer construir uma máquina “Back to the Future” style, mas apoquentam-me, essencialmente, as próximas gerações. Não sou nenhum narcisista acerca da minha geração, mas não foi ela que levou o país para um fundo – e bem fundo – buraco, sugando esperanças, sorrisos e vontade de fazer mais e melhor no país que descobriu meio mundo. Mas se me revoltam as gerações que ‘mandam’, revoltam-me ainda mais as que aí vêm. Se em todos os rebanhos há uma ovelha negra, então cada vez se veem menos ovelhas brancas. Custa-me, em primeira instância, pensar em pessoas que não conheceram outra moeda que não o euro, que não saibam o que é uma disquete, uma cassete VHS, o que é levantar-se às 5 da manhã para ver desenhos animados e que sem internet, provavelmente, entram em depressão, tratando mal os pais (tratar mal os pais, sim, essa é outra). Lembro-me perfeitamente de, em criança, encontrar sempre pessoal para jogar à bola, para jogar às ‘escondidas’, para andar de bicicleta e não havia facebook nem telemóveis e a internet era muito barulhenta e lenta.

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Só voltávamos para casa quando o sol se punha, os pais não se preocupavam, e muitos iam com a roupa suja, outros com os joelhos esfolados e muitas vezes sem bola, mas éramos felizes. Crescíamos com a cultura, muitas vezes descabida, dos amigos, do que diziam ou ouviam de irmãos mais velhos, não precisávamos de ‘likes’ para termos autoconfiança, apenas ter um berlinde único, um cromo que todos queriam ou termos dado um beijo à rapariga mais gira da turma e vangloriarmo-nos disso em frente aos amigos. Aqueles que agora são tratados de forma diferente, por terem um distúrbio na concentração ou por apresentarem problemas a socializar, muitos deles eram, na altura, os que chutavam com força para o quintal de uma vizinha ou os que iam com a bicicleta pelas poças de lama, caíam e saíam de lá a rir-se. Nenhum de nós tinha doença nenhuma e todos nós nos formámos, crescemos, aproveitámos e continuamos a aproveitar o pouco que nos dão.

Não quero dar uma de “Velho do Restelo”, não quero aqui criticar ninguém nem xingar esta ou outra geração em prol da minha, mas apenas pedir uma reflexão sobre os estudantes pré-universidade, sendo algo que dá um pouco de medo. Pensem que eles serão os futuros Passos Coelhos, Durões Barrosos e Obamas. Talvez, até lá, já haja maneira de viver em Marte e possamos ir para lá, deixando o planeta a essa geração do YOLO, SWAG e demais.

Jornalista e Repórter Desportivo / Content Creator ICote

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