Não sei que mundo vou deixar aos meus filhos

Sofia banner

Lembro-me de ser pequena e de gostar de estudar História com o meu pai. Gostava em particular das conquistas dos Portugueses nos Descobrimentos, do nosso não conformismo com o que tínhamos e o desejo de ir mais além, mesmo que isso implicasse mergulhar no desconhecido.

Lembro-me de achar que cada facto histórico era uma pedra num caminho a construir para um mundo melhor. E o meu pai contava-me pormenores que não apareciam nos livros de História e eu adorava.

Sempre achei que a nossa missão era viver bem neste mundo. Com respeito pelos outros. Com respeito pela natureza. Com respeito por nós próprios. Que cada ano que passava estávamos a contribuir para um mundo melhor, para estarmos melhor no nosso país, na nossa Terra. Para sermos melhores pessoas.

Mas quando paramos para olhar à nossa volta, nesta correria do dia a dia, apercebemo-nos que as nossas conquistas históricas se têm vindo a perder. Deixamos o mar, porque nos disseram para o fazer. Deixamos de produzir localmente. Deixamos de nos ouvir uns aos outros. Passamos o dia com a cabeça enfiada na areia, entre o stress do trabalho, do trânsito, da tecnologia. Não sabemos o nome dos vizinhos, comemos fast-food e passamos os dias em frente ao ecrã – do computador, da TV, do iPad, do telemóvel. Há lixo que se acumula das embalagens excessivas que os objectos trazem. Gastamos os recursos que o planeta não tem. E a honra, a confiança e a solidariedade são palavras com potencial para desaparecerem do dicionário.

Não sei que mundo vou deixar aos meus filhos.

A única coisa que eu sei que mantemos e que lhes quero ensinar, porque tem potencial para fazer mudanças assombrosas, é a palavra esperança.

Autora do blog Café, Canela & Chocolate

Comentários

Author: admin

Share This Post On